Raiva

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A raiva é uma encefalomielite viral progressiva aguda que afeta principalmente carnívoros e morcegos, embora possa afetar qualquer mamífero. A doença é fatal, assim que os sinais clínicos aparecem. A raiva está presente em diversos países no mundo todo, embora vários países estejam livres da doença graças aos programas de eliminação bem sucedidos ou graças à sua condição de ilha e aplicação de regulações rigorosas de quarentena

Etiologia e Patogênese
A raiva é causada pelos Lyssavirus na família Rhabdovirus. Os Rhabdovirus geralmente se limitam a uma das principais espécies-reservatório em uma dada área geográfica, embora seja comum o alastramento para outras espécies.

Os reservatórios da raiva variam ao redor do mundo. A raiva canina é predominante na África, Ásia, América Latina, e Oriente Médio. Na América do Norte e na Europa, onde a raiva canina foi eliminada, a raiva é mantida na vida selvagem.

Por muitos anos, os gambás eram os animais raivosos mais frequentemente conhecidos nos EUA, mas desde 1990, os guaxinins raivosos tem sido os mais numerosos. A raiva canina se fixou em cães e coiotes (Canis latrans) no sul do Texas, mas foi eliminada. A raiva persiste no México, com possibilidade para se espalhar ao longo dos EUA caso reintroduzida. A raiva de gambás, guaxinins, e raposas são encontradas em regiões geográficas bastante distintas da América do Norte, embora ocorra alguma intersecções. A raiva de morcegos está distribuída ao longo das Américas. O morcego vampire é um importante reservatório na América Latina, e é a fonte de diversos surtos no gado, bem como em humanos, de modo particular em partes da Amazônia.

Na Europa, a raiva da raposa vermelha predominou antes de sua eliminação através da vacinação oral. Em partes da Europa Oriental, a raiva em cães guaxinim é uma preocupação crescente. A raiva em morcegos insetívoros está amplamente distribuída na Europa.

Outras espécies selvagens tem um papel importante na transmissão da raiva em algumas áreas, incluindo mangustos no Caribe, África do Sul, e partes da Ásia; chacais em partes da África; e lobos em partes no norte da Europa.

A transmissão quase sempre ocorre via introdução da saliva carregada de vírus nos tecidos, geralmente pela picada do animal raivoso. Embora com muito menos probabilidade, é possível, pois o vírus a partir da saliva, glândulas salivares, ou do cérebro causar infecção entrando no corpo através de feridas frescas ou membranas mucosas intactas. Geralmente, a saliva é infecciosa no momento em que os sinais clínicos ocorrem, porém é possível que cães, gatos e furões domésticos vertam o vírus por vários dias antes do início dos sinais clínicos. Houve relato de eliminação viral em gambás em até 8 dias antes do início dos sinais.

O período de incubação é igualmente prolongado e variável. Normalmente, o vírus permanece no local da inoculação por um período considerável. A extensão incomum do período de incubação ajuda a explicar a ação eficaz da infiltração local da imunoglobulina da raiva durante a profilaxia pós-exposição em humanos, mesmo dias após a exposição. A maioria dos casos de raiva em cães se desenvolve de 21 a 80 dias após a exposição, mas o período de incubação pode ser mais curto ou consideravelmente mais longo.

O vírus atravessa os nervos periféricos até a medula espinhal e sobe até o cérebro. Após atingir o cérebro, o vírus atravessa os nervos periféricos até as glândulas salivares. Se um animal é capaz de transmitir a raiva através da saliva, o vírus será detectado no cérebro. O vírus é vertido de forma intermitente na saliva.

Resultados Clínicos e Patológicos
Os sinais clínicos da raiva raramente são definitivos. Os animais raivosos de todas as espécies geralmente exibem os sinais característicos de distúrbio do SNC, com pequenas variações entre as espécies. Os sinais mais confiáveis, independentemente das espécies, são mudanças comportamentais agudas e paralisia progressiva inexplicada. Mudanças comportamentais podem incluir anorexia repentina, sinais de apreensão ou nervosismo, irritabilidade, e hiperexcitabilidade (incluindo priapismo). O animal pode buscar solidão. Ataxia, pronação alterada, e mudanças de temperamento são aparentes. A agressividade atípica pode se desenvolver—um animal normalmente dócil pode repentinamente se tornar feroz. Normalmente, animais selvagens raivosos podem perder seu medo de humanos, e as espécies que são normalmente noturnas podem ser avistadas vagando durante o dia.

O curso clínico pode ser dividido em 3 fases gerais—prodrômica, excitatória aguda, e paralítica/estágio final. No entanto, essa divisão tem valor limitado devido à variabilidade de sinais e às extensões irregulares das fases. Durante o período prodrômico, que dura ∼1 a 3 dias, os animais apresentam somente sinais não específicos e vagos, que se intensificam rapidamente. A doença evolui rapidamente após o início da paralisia, e a morte é virtualmente certa em poucos dias depois. Alguns animais morrem rapidamente sem sinais clínicos marcados.

O termo “raiva furiosa” se refere aos animais em que a agressão (a fase excitatória neural aguda) é acentuada. “Raiva muda ou paralítica” se refere aos animais cujas mudanças comportamentais são mínimas, e a doença se manifesta principalmente através da paralisia.

Forma Furiosa
Essa é a “síndrome do cachorro louco” clássica, embora possa ser vista em todas as espécies. Existe pouca evidência de paralisia durante esse estágio. O animal se torna irritável e, com a mínima provocação, pode usar de forma agressiva e feroz seus dentes, garras, chifres, ou cascos. A postura e a expressão são de atenção e ansiedade, com as pupilas dilatadas. O ruído pode ser um convite ao ataque. Esses animais perdem o cuidado e o medo de humanos, e de outros animais. Carnívoros com essa forma de raiva com frequência vagueiam bastante, atacando outros animais, inclusive pessoas, e qualquer objeto em movimento. Eles normalmente engolem objetos estranhos, como por exemplo, fezes, palha, paus, e pedras. Os cães raivosos podem mastigar o arame e a tela de sua jaula, quebrando seus dentes, e seguirão a mão que se movimenta na frente da jaula, tentando morder. Filhotes mais novos procuram companhia humana e são excessivamente brincalhões, mas mordem mesmo quando afagados, geralmente se tornam selvagens em poucas horas. Gambás raivosos podem procurar e atacar ninhadas de filhotes de cães e gatos. Gatos domésticos raivosos e linces podem atacar repentinamente, mordendo e arranhando com ferocidade. Na medida em que a doença progride, são comuns a descoordenação muscular e convulsões. A morte decorre de paralisia progressiva.

Forma Paralítica
Isso se manifesta através da ataxia e da paralisia dos músculos da garganta e do masseter, frequentemente com abundante salivação e incapacidade para engolir. É comum os cães deixar cair a mandíbula inferior. Os donos examinam com frequência a boca dos cães e do gado procurando por um corpo estranho ou administram o medicamento com suas mãos nuas, expondo-se dessa forma à raiva. Esses animais podem não ser ferozes e raramente tentam morder. A paralisia evolui rapidamente para todas as partes do corpo, e o coma e a morte ocorrem em algumas horas.

De um modo geral, deve-se suspeitar da raiva em animais selvagens terrestres que atuam de maneira anormal. O mesmo é válido para morcegos que podem ser vistos voando à luz do dia, descansando no solo, paralisados e incapazes de voar, atacando pessoas ou outros animais, ou lutando.

Diagnóstico
O diagnóstico clínico é difícil, especialmente em áreas onde a raiva não é comum e não deve ser confiável ao tomar decisões de saúde pública. Nos estágios iniciais, a raiva pode ser facilmente confundida com outras doenças ou com tendências agressivas normais. Por isso, quando se suspeita da raiva é preciso efetuar um diagnóstico definitivo, a confirmação do laboratório é indicada. Os animais suspeitos devem ser eutanasiados e a cabeça removida para expedição laboratorial.

O diagnóstico da raiva deve ser feito por um laboratório credenciado, indicado pelo departamento de saúde estadual ou local de acordo com os protocolos nacionais padronizados para testes sobre a raiva. A microscopia de imunofluorescência no tecido cerebral fresco, o que permite observação visual direta da reação específica antígeno-anticorpo, é o teste preferido atualmente. Quando usado adequadamente, pode fixar um diagnóstico bem mais específico em poucas horas. Os tecidos cerebrais devem incluir a medula oblonga e o cerebelo (e devem ser preservados por refrigeração com gelo triturado ou bolsas de água fria).

Fonte: Manual de veterinária da Merck

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